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Mulher que pode ser a pessoa mais velha do mundo morre aos 123 anos de idade em Presidente Prudente

Deolinda Soares Rodrigues passou mais de 10 dias hospitalizada e teve uma infecção generalizada. Certidão de Nascimento indica que a mineira nasceu no dia 24 de junho de 1898.

02/05/2022 às 17h44 Atualizada em 02/05/2022 às 18h07
Por: Rodrigo de Freitas Fonte: g1 Presidente Prudente por Heloise Hamada
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Deolinda Soares Rodrigues em seu aniversário de 120 anos, em 2018 — Foto: Arquivo/g1
Deolinda Soares Rodrigues em seu aniversário de 120 anos, em 2018 — Foto: Arquivo/g1

Morreu neste domingo (1º), em Presidente Prudente (SP), aquela que pode ser considerada a pessoa mais velha do mundo, Deolinda Sores Rodrigues, aos 123 anos de idade, segundo consta em sua Certidão de Nascimento. O documento indica que ela nasceu em 24 de junho de 1898, em Belo Horizonte (MG).

"Mãeinha", como era chamada pelos familiares, viveu boa parte de sua história em Presidente Prudente e celebrou a vida com as filhas, netos, bisnetos e taratanetos.

No mês passado, ela apresentou problemas na vesícula e, de acordo com a família, durante o período de mais de 10 dias de internação hospitalar, teve pneumonia e depois uma infecção generalizada, que a levaram ao óbito.

Ela foi sepultada na tarde desta segunda-feira (2), no Cemitério Municipal São João Batista, em Presidente Prudente.

Maria Alice, de apenas um mês de vida, é tataraneta de Deolinda — Foto: Heloise Hamada/g1
Maria Alice, de apenas um mês de vida, é tataraneta de Deolinda — Foto: Heloise Hamada/g1

O g1 noticiou o aniversário de 120 anos de Deolinda. Na época, uma das netas afirmou que a idosa teve 10 filhos, sendo uma mulher de criação, e tinha cerca de 30 netos, aproximadamente 90 bisnetos e 26 tataranetos.

A família cresceu nesses três anos. A última tataraneta que nasceu é a Maria Alice, de apenas um mês de vida, filha de Fabiane da Silva Santos, de 33 anos. "Minha bisavó era uma mulher muito boa, muito alegre. Infelizmente, ela não conheceu a tataraneta", falou ao g1.

"Ela gostava de ter uma família grande", afirmou uma das filhas de Deolinda, Joana Aparecida Rodrigues, de 62 anos.

Fabiane da Silva Santos, de 33 anos, é bisneta de Deolinda — Foto: Heloise Hamada/g1
Fabiane da Silva Santos, de 33 anos, é bisneta de Deolinda — Foto: Heloise Hamada/g1

A neta Eliana Regina dos Santos, de 46 anos, contou que a avó passou bem o período da pandemia do novo coronavírus, em isolamento com duas bisnetas. "Não pegou Covid-19 nem gripe", comentou.

Conforme a família, Deolinda continuava lúcida, conversando bem com todos. "Ela era muito alegre, uma mãe para todos", disse Eliana.

Eliana Regina dos Santos, de 46 anos, é neta de Deolinda — Foto: Heloise Hamada/g1
Eliana Regina dos Santos, de 46 anos, é neta de Deolinda — Foto: Heloise Hamada/g1

Há cerca de 20 dias, a idosa passou mal e foi internada. "Ela nunca tinha sido internada. Parecia que ia viver bastante tempo ainda. Ela estava bem antes até que passou mal", falou a neta Terezinha dos Santos, de 53 anos, ao g1.

Deolinda precisou de atendimento médico há cerca de 20 dias, inicialmente, com problemas na vesícula. Ela foi internada no Hospital Regional (HR), em Presidente Prudente, no dia 20 de abril.

Terezinha dos Santos, neta de Deolinda, junto com seu pai Manoel Francisco dos Santos, genro da idosa — Foto: Heloise Hamada/g1
Terezinha dos Santos, neta de Deolinda, junto com seu pai Manoel Francisco dos Santos, genro da idosa — Foto: Heloise Hamada/g1

O HR informou que a paciente foi "prontamente atendida pela equipe médica e multiprofissional". "Porém, devido à gravidade de seu quadro clínico, evoluiu a óbito na tarde deste domingo (1º)", salientou a unidade de saúde.

De acordo com a família, durante o período de internação, ela desenvolveu pneumonia e depois uma infecção generalizada.

Ednéia dos Santos Vieira, de 36 anos, neta de Deolinda — Foto: Heloise Hamada/g1
Ednéia dos Santos Vieira, de 36 anos, neta de Deolinda — Foto: Heloise Hamada/g1

"Deus que sabe o momento e a hora de cada um na Terra. Vou sentir muitas saudades dela", falou a bisneta Ednéia dos Santos Vieira, de 36 anos.

A família diz que um dos segredos para uma vida longa foi a alimentação. "Ela gostava de tudo que era caipira. Gostava muito de frango caipira com batata, dessas receitas mais antigas, a cozinha mineira", contou o aposentado Ronaldo Rodrigues, genro de Deolinda.

Deolinda Soares Rodrigues morreu aos 123 anos — Foto: Heloise Hamada/g1
Deolinda Soares Rodrigues morreu aos 123 anos — Foto: Heloise Hamada/g1

Apesar de gostar da culinária caipira, de farofa e de panceta, ela também tomava bastante refrigerante, como lembrou Terezinha. "Meu pai fez um almoço para ela tem uns dois meses. Ela se alimentava muito bem", disse.

A neta ainda destacou que a avó gostava de conversar e falava sobre o passado e o presente, e ainda reconhecia as pessoas.

"A mente da minha avó era incrível. Eu gostava de fazer perguntas sobre a vida dela, e ela respondia. Ela era boa de papo e transmitia muita paz. Nos pegou de surpresa essa internação. Vou sentir muito a falta dela porque ela era muito especial, mas sei que foi para o bem da minha avó", frisou Terezinha.

Registro de nascimento certifica que Deolinda nasceu em 1898 — Foto: Stephanie Fonseca/g1
Registro de nascimento certifica que Deolinda nasceu em 1898 — Foto: Stephanie Fonseca/g1

'Mãeinha'

Nascida em 1898, na capital mineira Belo Horizonte, conforme consta em sua Certidão de Nascimento, Deolinda morou no Jardim Santa Mônica e no Parque Alvorada, em Presidente Prudente, cidade no interior do Estado de São Paulo onde viveu por mais de 50 anos.

O documento foi apresentado quando ela tinha 119 anos, na primeira vez em que foi personagem de uma reportagem do g1.

Deolinda com as filhas Leodomira e Joana, em Presidente Prudente (SP) — Foto: Arquivo/g1
Deolinda com as filhas Leodomira e Joana, em Presidente Prudente (SP) — Foto: Arquivo/g1

Apesar de não ter um registro oficial, a família a considerava a pessoa mais velha do mundo.

Antes de chegar ao Oeste Paulista, ela morou no Estado do Paraná. Quando saiu de Minas Gerais, Deolinda passou a trabalhar como doméstica, mas relatou que sempre atuou na roça.

Deolinda com filhas, netos e bisnetos, em Presidente Prudente (SP) — Foto: Arquivo/g1
Deolinda com filhas, netos e bisnetos, em Presidente Prudente (SP) — Foto: Arquivo/g1

Dos 10 filhos que teve, somente três mulheres estão vivas, sendo uma de criação.

O marido de Deolinda, João, faleceu antes dela, mas ainda estava na memória – e no coração – da viúva.

“Ele começou com dor de cabeça e ficou assim por uns três dias. No quarto dia, ele morreu”, lembrou “Mãeinha”.

“Só deu tempo de pôr o nome dela [e apontou à filha caçula]. Se fosse menino, seria João, mas como era menina, ficou Joana”, lembrou Deolinda ao g1 quando tinha 119 anos.

Deolinda Rodrigues, quando tinha 119 anos de idade, em Presidente Prudente (SP) — Foto: Stephanie Fonseca/g1/Arquivo
Deolinda Rodrigues, quando tinha 119 anos de idade, em Presidente Prudente (SP) — Foto: Stephanie Fonseca/g1/Arquivo

Na época, ao ser questionada sobre o segredo de tanta vivacidade, “Mãeinha” riu e bem-humorada disse que comia muita "quirerinha de milho com feijão preto, cozido com orelha de porco" (veja o vídeo abaixo). “Ah, mas era gostoso!”, declarou.

Quando completou 120 anos, o g1 publicou uma nova reportagem sobre Deolinda. A família ainda tinha esperanças de que ela pudesse ser reconhecida como a pessoa mais velha do mundo.

'Livro dos Recordes'

A pessoa mais velha do mundo, reconhecida pelo "Guinnees Book", o chamado "Livro dos Recordes", era a japonesa Kane Tanaka, de 119 anos, que morreu no dia 19 de abril deste ano.

Agora, o título passou a ser da freira francesa Lucile Randon, de 118 anos, nascida em 11 de fevereiro de 1904. Embora nenhum órgão oficial atribua o título, a irmã Andrés se tornou a pessoa mais velha e "de longe", já que é seguida por uma polonesa de 115 anos, disse Laurent Toussaint à AFP.

Para este especialista, que participa na base de dados internacional da longevidade (IDL), a freira também tem "um registo civil verificado".

A pessoa viva mais velha verificada pelo "Guinness" foi a francesa Jeanne Louise Calment, que morreu aos 122 anos e 164 dias em 1997.

O nome da brasileira Deolinda Soares Rodrigues não aparece nos registros do "Guinnes Book".

Registro de nascimento certifica que Deolinda nasceu em 1898 — Foto: Stephanie Fonseca/g1/Arquivo
Registro de nascimento certifica que Deolinda nasceu em 1898 — Foto: Stephanie Fonseca/g1/Arquivo

Reprodução: g1 Presidente Prudente

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